CASA DA AZENHA

Projeto de Conservação e Ampliação

Ano de Conclusão : 2025

Área Construída : 138 m2

Localização : Sobral de Monte Agraço

Equipa: João Pedro Cavaco, Filipa Menino, Cristiana Gama, Bruno Andrade e Gonçalo Dias

Fotógrafo : Nuno Almendra

Casa da Azenha é um projeto de conservação e reabilitação de uma ruína de uma antiga azenha para fins habitacionais. Com base no programa solicitado pelo dono de obra, a intervenção, circunscrita ao perímetro existente da ruína, propôs a sua conservação e a edificação de um novo volume no seu interior, de forma a valorizar tanto a construção existente como a envolvente natural e a relação entre ambas.

A ruína consistia apenas nas paredes exteriores em pedra da antiga azenha e numa parede interior que fazia a contenção das terras entre os dois níveis da construção. Nesse sentido, foi proposta a conservação das paredes exteriores da ruína, bem como a manutenção da relação que esta estabelecia com a topografia, preservando os vãos originais e a sua articulação com a nova construção.

A nova edificação é então proposta integralmente no interior dos muros da ruína, desenvolvendo-se em três níveis: o piso de entrada, à cota do acesso existente ao nível superior da azenha; um piso inferior, à cota inferior da construção; e um nível superior, que se eleva apenas o mínimo necessário para garantir o cumprimento do pé-direito regulamentar no piso inferior, uma vez que ambos se desenvolvem sobrepostos. Considerando estas premissas e a reduzida área da casa, os espaços distribuem-se de forma natural. No piso de entrada e no nível ligeiramente acima localizam-se as áreas sociais da habitação, compostas pela sala de estar, uma instalação sanitária social e a cozinha com zona de refeições. No piso inferior situam-se dois pequenos quartos e uma instalação sanitária de apoio, que, ao serem propostos no nível mais enterrado, remetem naturalmente para uma maior sensação de recolhimento, em oposição às áreas sociais.

De forma a realçar a ruína e o contraste entre a memória do existente e a nova construção, foi proposto que a nova edificação se afirmasse como um volume único, remetendo para a imagem arquetípica da casa de duas águas, através de uma linguagem simples e de materialidades monocromáticas. Esta intenção reflete-se também na relação com os vãos propostos, que, ao mesmo tempo que estabelecem uma ligação entre a ruína e a nova construção, se afirmam como momentos singulares nas diferentes fachadas e na relação dos espaços interiores com a envolvente natural da casa.

A Casa da Azenha é um projeto que parte de um gesto formal simples, com o objetivo de responder às necessidades do dono de obra, preservando a memória existente do lugar e propondo diferentes relações entre os novos espaços habitáveis e a paisagem natural envolvente.

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